Como Funcionam? Como Fazer?
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Termopares

Princípio do Funcionamento
Um termopar é um transdutor básico que compreende dois pedaços de fios dissimilares, unidos em uma das extremidades. Nada mais simples do que isso. Entretanto, sem algum conhecimento sobre seu funcionamento não é possível compreender como podem ser usados como termômetros.

Efeitos Termoelétricos
Os efeitos termoelétricos recebem essa denominação porque envolvem tanto calor quanto eletricidade. Podem ser identificados três efeitos termoelétricos diferentes, porém interrelacionados. O efeito Seebeck é o relevante para os termopares enquanto os efeitos Peltier e Thomson descrevem o transporte de calor por uma corrente elétrica.

Efeito de Seebeck
O circuito para um termômetro termopar é ilustrado na Figura 1. Ambas as junções, de medição e de referência estão em ambientes isotérmicos (de temperatura constante), cada uma numa temperatura diferente.

Figura 1. Circuito para medir o potencial de Seebeck compreendendo dois fios diferentes, A e B, duas junções e um voltímetro.
Fios de cobre conectam a junção de referência ao instrumento.


A tensão de circuito aberto através da junção de referência é a chamada tensão de Seebeck e aumenta à medida que a diferença de temperatura entre as junções aumenta. Embora o efeito de Seebeck seja muito fácil de ser medido e demonstrado nas condições da Figura 1, os físicos levaram um grande tempo para provar como o efeito de Seebeck funciona. Parte do problema reside no fato de que a tensão de Seebeck somente é observada em um circuito completo que envolva pelo menos dois tipos de fios. Entretanto, os físicos conseguiram demonstrar que o efeito de Seebeck ocorre para qualquer par de pontos que não estejam à mesma temperatura, em qualquer parte de um fio condutor elétrico, embora, na prática ela seja observada com dois fios diferentes.A Figura 2 ilustra o fenômeno.

Figura 2. A tensão de Seebeck é gerada apenas nos segmentos momentaneamente não isotérmicos b-c e d-e, à medida em que são movidos para dentro do banho.

O termopar, que opera sob o efeito Seebeck é, portanto, diferente da maioria dos outros sensores de temperatura uma vez que sua saída não está diretamente relacionada à temperatura, mas sim ao gradiente de temperatura, ou seja, da diferença de temperatura ao longo do fio termopar.

Modelo de Medição
Os principais aspectos de uma medição com termopar são ilustrados Figura 2 a seguir.

Figura 3. Modelo de medição com termopar. As molduras ao redor das junções indicam que elas estão numa situação isotérmica e que nenhuma tensão é produzida ali.

Existe uma variedade de meios em que o termopar pode ser incorporado como um sensor capaz de medir temperatura de um sistema físico.

É necessário garantir que a junção de medição esteja numa condição isotérmica, daí a importância de imergir o termopar a uma profundidade adequada (grosseiramente entre 10 e 20 vezes seu diâmetro externo – incluindo as proteções). Pelo fato de o transdutor responder a um gradiente de temperatura, ele deve ser conectado a dois sistemas físicos em duas temperaturas diferentes.

A junção de referência deve ser isotérmica para propiciar uma temperatura conhecida e auxiliar na obtenção de uma interface do sinal, que isola o sensor da instrumentação. Os fios de transmissão do sinal da junção de referência até o instrumento estão freqüentemente em um meio mais controlado do que aquele de outros sensores de temperatura, especialmente se a junção de referência estiver dentro do instrumento. Se o instrumento for um voltímetro, a interpretação dos dados requererá informação extra a respeito da temperatura de referência e da tabela do termopar, caso contrário esta informação pode estar incluída no instrumento e a temperatura ser indicada diretamente.

Faixas de trabalho e limites de erro
A tabela abaixo fornece os limites de erros dos termopares, conforme ASTM E-230-98, segundo a ITS-90.

Tipo de
Termopar

Faixa de
Temperatura

Limites de Erro

Standard
(Escolher o Maior)

Especial
(Escolher o Maior)

T

0 a 370ºC

±1ºC ou ±0,75%

±0,5ºC ou 0,4%

J

0 a 760ºC

±2,2ºC ou ±0,75%

±1,1ºC ou ±0,4%

E

0 a 870ºC

±1,7ºC ou ±0,5%

±1ºC ou ±0,4%

K

0 a 1260ºC

±2,2ºC ou ±0,75%

±1,1ºC ou ±0,4%

S e R

0 a 1480ºC

±1,5ºC ou ±0,25%

±0,6ºC ou ±0,1%

B

870 a 1700ºC

±0,5%

± 0,25%

T

-200 a 0ºC

±1ºC ou ±1,5%

-

E

-200 a 0ºC

±1,7ºC ou ±1%

-

K

-200 a 0ºC

±2,2ºC ou ±2%

-

Limites de erros para Termopares convencionais e minerais segundo a norma IEC 584-2 (Revisão junho de 1989):

Tipos de
Termopares

Classe 1
(Especial)

Classe 2
(Standard)

Classe 3
(Standard)

Tipo T

Faixa
Tolerância
Faixa
Tolerância


-40 a 125ºC
±0,5ºC
125 a 350ºC
±0,4%


-40 a 133ºC
±1,0ºC
133 a 350ºC
±0,75%


-67 a 40ºC
±1,0ºC
-200 a -67ºC
±1,5%

Tipo E
Faixa
Tolerância
Faixa
Tolerância


-40 a 375ºC
±1,5ºC
375 a 800ºC
±0,4%


-40 a 333ºC
±2,5ºC
333 a 900ºC
±0,75%


167 a 40ºC
±2,5ºC
-200 a 167ºC
±1,5%

Tipo J

Faixa
Tolerância
Faixa
Tolerância

-40 a 375ºC
±1,5ºC
375 a 750ºC
±0,4%

-40 a 333ºC
±2,5ºC
333 a 750ºC
±0,75%


-
-
-
-

Tipo K/N

Faixa
Tolerância
Faixa
Tolerância


-40 a 375ºC
±1,5ºC
375 a 1000ºC
±0,4%



-40 a 333ºC
±2,5ºC
333 a 1200ºC
±0,75%


-167 a +40ºC
±2,5ºC
-200 a 167ºC
±1,5%

Tipo S/R

Faixa
Tolerância
Faixa
Tolerância


0a 1100ºC
±1,0ºC
110 a 1600ºC
±[1 + 0,003 (t-1100)]ºC


0 a 600ºC
±1,5ºC
600 a 1600ºC
±0,25%


-
-
-
-

Tipo B

Faixa
Tolerância
Faixa
Tolerância


-
-
-
-


-
-
600 a 1700ºC
±0,25%


600 a 800ºC
±4,0ºC
800 a 1700ºC
±0,5%

Aplicação
Os termopares são os sensores de temperatura mais amplamente utilizados. Encontram aplicação nos mais variados processos, em ampla faixa de temperatura. Deve-se atentar para a tolerância do processo a ser medido.

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