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Calibração
Industrial
Instrumentos Medidores de Temperatura
1.
Introdução
São inúmeros os instrumentos usados para indicação,
controle e registro da temperatura em uma planta industrial. Esses
instrumentos indicam o valor da temperatura de forma analógica
ou digital, utilizando meios elétricos ou eletrônicos
para tratamento do sinal gerado por um termopar ou termômetro
de resistência, principalmente. Indicadores, controladores,
CLPs e registradores são alguns dos instrumentos mais
utilizados e que, via de regra, necessitam de calibrações
periódicas que visam garantir que seu desempenho continua
sendo aquele especificado pelo fabricante.
2.
A Escolha do Sistema de Calibração
A calibração pode ser feita por uma equipe externa
ou interna.
Se o usuário optar por contratar um terceiro para realizar
suas calibrações deverá selecionar um prestador
de serviços cuja melhor capacidade de medição
seja pelo menos três vezes melhor que o limite de erro dos
instrumentos que serão calibrados.
Se o usuário optar pela calibração interna,
deverá especificar equipamentos de calibração
adequados, dentre as inúmeras opções disponíveis
no mercado. Idealmente, o instrumento selecionado como padrão
deve ser de uma classe metrológica superior, ou seja, ter
um limite de erro e uma resolução melhor do que o
objeto da calibração. Mais importante ainda é
a seleção do laboratório que irá certificar
esse padrão: sempre que possível, a melhor capacidade
de medição do laboratório deve ser pelo menos
três vezes melhor que o limite de erro especificado para o
padrão.
3.
O Instrumento Padrão
O padrão a ser usado na calibração de indicador
de temperatura para termopar, pode ser um gerador de sinal ou um
instrumento de medição de tensão elétrica.
No caso de ser um indicador de temperatura para termoresistência,
pode ser um gerador de sinal, uma década de resistência
ou um instrumento de medição de resistência
elétrica.
O gerador de sinal pode gerar mVCC ou ohms de forma contínua
ou em valores discretos, porém, em ambos os casos, deve-se
observar o efeito do casamento de impedância entre o gerador
de sinal e o instrumento a calibrar, visto que grandes diferenças
de impedância podem provocar erros na calibração.
Quando se usar um instrumento de medição elétrica
como padrão, ele poderá ser um medidor de tensão
contínua (um voltímetro ou um potenciômetro)
ou um medidor de resistência elétrica (um ohmímetro
ou uma ponte de resistência), conforme o tipo de entrada do
objeto da calibração.
Na calibração industrial os multicalibradores portáteis
são os preferidos, por possuírem inúmeras faixas
de operação, serem instrumentos leves, de ciclo rápido
e que permitem a calibração de um grande número
de instrumentos durante um dia de trabalho. Alguns modelos dispõem,
inclusive, de recursos para a calibração automatizada.
Qualquer que seja o padrão escolhido, deverá ser calibrado
periodicamente por laboratórios da Rede Brasileira de Calibração,
de modo a ter garantida sua rastreabilidade.
4.
Cablagem e conexões
As interligações entre o padrão e o objeto
da calibração devem ser feitas por condutores elétricos
homogêneos. As ligações devem ser feitas de
modo a minimizar quedas de tensão, fugas de corrente, resistências
de contato, geração de força termoelétrica
espúria e captação de ruídos que interfiram
nos resultados das medições. Blocos de terminais e
chaves seletoras, se usados, devem estar protegidos contra correntes
de ar e radiações que provoquem gradientes térmicos.
5.
Método de Calibração
A seguir descreveremos como realizar a calibração
utilizando um multicalibrador portátil, que pode ser o modelo
Cappo 10
ou Microcal 200, dependendo das características
do objeto da calibração.
O Cappo 10 é um instrumento muito leve (1 kg), possui diversas
memórias mas, atualmente, não possui software para
calibração automática.
O Microcal 200 é um pouco mais pesado (3 kg) mas além
de melhor tolerância e resolução, possui o software
CalPman, que possibilita a automação das calibrações.
5.1.Local
É recomendado que a calibração seja executada
em um local específico para essa finalidade, com iluminação
adequada, tensão elétrica controlada e estável,
condições ambientais com valores nominais e estabilidade
dentro das especificações requeridas pelos instrumentos
e que proporcionem conforto ao operador e malha de aterramento para
os instrumentos.
Quando a calibração tiver que ser feita em campo,
ou seja, no local em que os instrumentos a serem calibrados estão
instalados, deve-se observar que as condições ambientais
estejam dentro dos limites especificados para o instrumento padrão.
É importante anotar a temperatura ambiente para posteriormente
avaliar seu efeito na incerteza na calibração.
5.2.Pontos
de calibração
O número e os valores dos pontos de leitura em que o indicador
é calibrado depende do tipo de indicador e da faixa de operação.
5.3.Ligação
dos equipamentos e instrumentos
5.3.1.
Sinal TERMOPAR
A grande maioria dos instrumentos atualmente utilizados possuem
compensação da junção de referência
para 0ºC.

Certifique-se
que a compensação da junção de referência
do Cappo 10 ou Microcal 200 está ajustada para interna. A
conexão entre os instrumentos é feita com cabos de
extensão termopar calibrados.
Selecionar no instrumento padrão, na escala OUT, um sinal
de saída igual à entrada do instrumento em calibração
(tipo de termopar) e injetar o valor em graus Celsius. Deve ser
considerado o erro do cabo de extensão.
Dica: Se você tiver certeza que padrão e objeto
da calibração estão à mesma temperatura
ambiente, curto-circuite a entrada do objeto da calibração
e anote o valor indicado (correspondente à temperatura ambiente).
Ajuste esse valor na compensação da junção
de referência do Cappo 10 ou Microcal 200 e faça a
conexão entre os instrumentos com cabos de cobre, lembrando
que, de acordo com a teoria de termopares, não existe força
eletromotriz onde não existe gradiente de temperatura, portanto
não será necessário o uso de cabos de extensão/compensação.
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Calibração
de controlador de temperatura usando multicalibrador CAPPO
10 |
5.3.2.Sinal TERMORESISTÊNCIA
5.3.2.1.Saída
do padrão e entrada do objeto em calibração
a dois fios

5.3.2.2.Saída
do padrão a dois fios, entrada do objeto em calibração
a três fios

Os
três fios utilizados deverão ter a mesma resistência.
5.3.2.3.Saída do padrão a dois fios, entrada do
objeto em calibração a quatro fios

6.
Resultados
6.1.Avaliação
dos resultados
Deve ser verificada a coerência dos resultados obtidos (relacionada
à linearidade das correções ou desvios). Havendo
inconsistência, a calibração deverá ser
repetida.
6.2.
Incerteza da calibração
Na avaliação da incerteza dos resultados de calibração
deve-se considerar, pelo menos:
a) incerteza do instrumento padrão;
b) resolução do instrumento padrão;
c) resolução do instrumento em calibração.
Para maiores informações sobre como fazer avaliação
de incertezas, consulte o documento EA 4/02.
7.
Bibliografia
NBR 14670: 2001 Indicador de temperatura para termopar
Calibração por comparação usando
gerador de sinal
NBR 14782: 2001 - Indicador de Temperatura para termoresistência
- Calibração por Comparação usando gerador
de sinal
EA 4/02 Expressão da Incerteza da medição
na Calibração
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