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Engo
Luiz Carlos Cipriano, M.Sc. e Engo Júlio Dutra Brionizio
Tradução: Lúcia Moreira
RESUMO:
O
efeito da temperatura deve ser cuidadosamente analisado quando a
umidade relativa for o parâmetro de interesse, uma vez que
a umidade é altamente dependente da temperatura. Os efeitos
da temperatura são tão significativos que, se não
forem considerados, podem as vezes levar a erros tão grandes
que a medição de umidade se torne inconsistente. Uma
considerável fonte de incerteza na medição
de umidade é o efeito das diferenças de temperatura
de lugar para lugar dentro da câmara. Este trabalho descreve
uma análise completa da incerteza e uniformidade da temperatura
de uma câmara climática utilizada pelo laboratório
de higrometria do Inmetro, como um equipamento auxiliar, para realizar
serviços de calibração de diversos tipos de
sensores de umidade e temperatura. Quinze termômetros de resistência
de platina (TRP-100 a 0ºC), conectados a um indicador digital,
foram utilizados para medir a temperatura dentro da câmara
climática. Os dez pontos de temperatura analisados neste
trabalho representam a faixa onde a maioria dos serviços
de calibração são executados.
Palavras-chave:
Uniformidade, Incerteza, Temperatura e Câmara Climática
1. INTRODUÇÃO:
O
nível de instrumentação no campo da higrometria
tem crescido bastante nas últimas décadas, uma vez
que a umidade representa um importante parâmetro de processo
em muitos institutos de pesquisa e setores industriais. Isto, juntamente
com a conscientização global dos benefícios
resultantes da implantação de reconhecidos sistemas
de gestão da qualidade, criou uma forte necessidade pela
calibração rastreada. Em resposta à crescente
demanda de calibração em umidade no Brasil, o Inmetro
implantou em 1998 um moderno laboratório de higrometria para
ser utilizado como base da disseminação e manutenção
dos padrões brasileiros de umidade, conforme as recomendações
da ISO/IEC 17025.
O processo de calibrar um instrumento significa comparar suas leituras
contra uma referência, para o mesmo tipo de medição,
de modo a identificar qualquer tendência ou erro sistemático
nas leituras. O laboratório de higrometria também
realiza a calibração de temperatura em higrômetros
que possuem sensor de temperatura além do sensor de umidade.
O laboratório utiliza uma câmara climática para
gerar uma atmosfera onde tanto a umidade quanto a temperatura são
precisamente controladas com seus sensores. Os instrumentos sob
calibração são colocados dentro da câmara
e expostos ao seu ambiente para que suas leituras sejam tomadas
e comparadas às medições de referência.
A análise da incerteza e uniformidade da temperatura é
tão importante por si só como para os gradientes de
umidade, uma vez que a temperatura tem influência direta sobre
eles. As medições foram realizadas nos seguintes pontos:
5 ºC, 10 ºC, 15 ºC, 20 ºC, 25 ºC, 30 ºC,
35 ºC, 40 ºC, 50 ºC e 60 ºC. Estes pontos representam
a faixa onde a maioria dos serviços de calibração
é realizada.
Diversos fatores devem ser considerados na análise matemática
da temperatura da câmara, tais como, incerteza do padrão
de referência, a uniformidade da temperatura, a resolução
da medição e o auto-aquecimento dos termômetros.
2.
DESCRIÇÃO DO SISTEMA DE MEDIÇÃO:
A
câmara climática Weiss Technik, modelo SB2-300, com
dimensões internas de 680 mm x 540 mm x 820 mm, possui faixa
de operação de umidade de 10 %ur a 98 %ur e faixa
de operação de temperatura de -75 ºC a 180 ºC.
Um computador é utilizado para operar a câmara.
Os quinze termômetros de resistência de platina (TRP-100
a 0 ºC), utilizados para medir a temperatura dentro da câmara,
foram calibrados pelo Laboratório de Termometria do INMETRO,
na faixa de 0 ºC a 157 ºC, contra um mesmo termômetro
padrão. Cada um dos quinze termômetros possui sua própria
incerteza, neste trabalho foi utilizado o valor de 0,05 ºC
porque esta foi a maior incerteza estimada entre eles.
Os termômetros foram conectados a um indicador digital Hart
Scientific, modelo Black Stack 1560, com resolução
de 0,0001 ºC, e os valores de temperatura foram obtidos através
de um programa de aquisição de dados desenvolvido
pela Divisão de Metrologia Térmica do INMETRO.
Os termômetros foram dispostos em três planos diferentes
dentro da câmara climática. Cada plano tinha um termômetro
em cada canto e um no centro, resultando em cinco termômetros
por plano. A distância da porta da câmara para o plano
frontal era de aproximadamente 250 mm, a distância de um plano
para o outro era aproximadamente 220 mm, e a distância do
plano posterior para o fundo da câmara era aproximadamente
130 mm.
Duas medições do ponto do gelo foram realizadas para
garantir os resultados da calibração dos termômetros.
Os termômetros foram introduzidos no gelo e em um intervalo
de um minuto, durante quarenta e cinco minutos, valores de temperatura
foram medidos resultando em uma temperatura média. Uma medição
do ponto do gelo foi realizada antes do experimento e os resultados
são mostrados na "Figura 1".
Figura 1 - Temperatura média no ponto do gelo antes do experimento.
A
outra medição do ponto do gelo foi realizada após
o experimento e os resultados são mostrados na "Figura
2". As duas medições do ponto do gelo confirmam
a estabilidade dos termômetros, o que torna confiável
a análise dos resultados experimentais.

Figura
2 - Temperatura média no ponto do gelo após o experimento.
3.
ANÁLISE DA UNIFORMIDADE DA TEMPERATURA
3.1.
Definindo as equações
O desvio máximo MD da temperatura de referência média
será a metade da diferença das temperaturas médias
máxima e mínima, Max e Min respectivamente, do conjunto
de sensores em cada ponto de temperatura que está sendo analisado.
Isto é mostrado pela "Equação 1".

A
uniformidade U será calculada usando-se a raiz quadrada da
soma dos quadrados do desvio máximo, baseado numa distribuição
retangular do intervalo; da incerteza dos dois termômetros
uT; e duas vezes o maior desvio padrão entre os quinze termômetros,
sdT.

3.2. Medição das temperaturas da câmara
A
câmara climática foi ajustada para uma umidade fixa
de 50 %ur e aguardou-se pelo menos uma hora para a estabilização
de cada temperatura.
As temperaturas mostradas para cada termômetro na "Tabela
1" são valores médios de vinte medições
tomadas em intervalos de um minuto. A Temperatura de referência
média TR é uma média das temperaturas médias
de cada termômetro. As leituras máxima e mínima


Tabela 1 - Temperatura média dos termômetros
O
maior desvio padrão entre os quinze termômetros em
cada ponto de temperatura é dado na "Tabela 2"
abaixo.

Tabela
2 - Maior desvio padrão em cada ponto
3.3.
Uniformidade de temperatura da câmara
É
dada na "Tabela 3", usando a "Equação
(2)", a uniformidade U em cada um dos dez pontos analisados.
Tabela
3 - Uniformidade para cada temperatura de referência média
4.
ANÁLISE DA INCERTEZA DA TEMPERATURA DA CÂMARA
4.1.
Incerteza na resolução da medição de
temperatura
O
componente de incerteza da resolução de temperatura
uR, de acordo com o ISO GUM (1993) [1], baseado numa distribuição
retangular da metade do intervalo, é dado pela "Equação
3":
4.2. Incerteza devida ao auto-aquecimento dos termômetros
Os
termômetros que foram colocados dentro da câmara climática
foram calibrados e verificados em um banho de líquido, porém
utilizados no ar. Assim sendo, a possibilidade de algum auto-aquecimento
associado com a medição deve ser considerado. Com
as medições de temperatura em ºC, o auto-aquecimento
é estimado como sendo 0,05% da leitura. A equação
da incerteza de temperatura devida ao auto-aquecimento, uSH, baseada
numa distribuição retangular do intervalo, é
dada pela "Equação 4":
4.3.
Incerteza combinada da temperatura da câmara
A
"Tabela 4" mostra a incerteza combinada resultante uc
calculada pela "Equação 5"; e a incerteza
expandida u utilizando um fator de abrangência k = 2, calculada
pela "Equação 6".



Tabela
4 - Incerteza combinada da temperatura da câmara
5.
COMPARAÇÃO DE MÉTODOS
A
"Sociedade dos Engenheiros Ambientais" (Society of Environmental
Engineers) [2] está propondo um outro método para
avaliar temperatura e umidade de câmaras climáticas.
Nós pegamos nossas medições de temperatura
e calculamos a incerteza da temperatura da câmara pelo método
proposto por eles. A "Figura 3" abaixo mostra uma comparação
da incerteza da temperatura da câmara calculada pelos dois
métodos. O gráfico mostra uma boa concordância
entre eles, o que torna confiável os resultados obtidos pelo
nosso método.
6.
CONCLUSÃO
Os
resultados obtidos mostram a boa estabilidade da câmara onde
a mudança máxima na uniformidade de temperatura foi
de 0,31 ºC na temperatura nominal de 60 ºC.
O método foi comparado com o método proposto pela
"Sociedade dos Engenheiros Ambientais" e os resultados
mostraram boa concordância.
Os valores determinados neste trabalho são utilizados nos
cálculos de incerteza feitos pelo laboratório nos
serviços de calibração.
REFERÊNCIAS
[1]
"Guide to the Expression of Uncertainty in Measurement",
1a Edição, 1993, ISBN 92-67-10188-9.
[2] "A guide to Calculating the Uncertainty of the Performance
of Environmental Chambers", Parte 1 e Parte 2, Draft for Consideration.
Society of Environmental Engineers (Sociedade dos Engenheiros Ambientais),
Agosto, 2000.
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